12 de março de 2005

Sessão de cinema

Houve um dia em que o Diabo ouviu rumores de que Deus havia deixado o Céu por alguns instantes. Resolveu subir para conferir com seus próprios olhos.
- É hoje! Se ele realmente estiver fora, vou aproveitar para tomar conta da sala de controle e governar o universo – pensou.
Quando ele abriu a porta, encontrou Deus sentado, aos prantos.
- O que foi, seu Deus? Posso fazer alguma coisa?
- Infelizmente não. O pior já aconteceu. Essas criaturas daninhas que criei não se corrigem! Devia ter deixado o planeta só para os bichos!
O Diabo, como pai de toda a maldade existente, retrucou:
- Não seja tão duro. Eles não são tão ruins assim. Tenho certeza de que em alguns milênios os homens estarão melhores.
Para convencer o Diabo, Deus começou a narrar todas a maldades cometidas pelos homens. Quando terminou, o Diabo disse:
- Ainda acho que o senhor está exagerando um pouco.
- Então você não acredita? Vou te mostrar uma coisa...
Levou o Diabo para a sala de projeção, onde estavam arquivados os acontecimentos do planeta Terra. Começou o filme.
Mostrou as guerras púnicas, de secessão, das Malvinas, do Paraguai, do Oriente Médio, dos sete anos, dos treze anos, dos trinta anos, dos cem anos.
Mostrou a história de Átila. Drácula. As fogueiras da Idade Média. Os romanos soltando as feras sobre os homens. Napoleão. Hitler. A bomba atômica.
Quando terminou o filme, o Diabo, horrorizado, voltou para o inferno. Hoje em dia, antes de adormecer, o Diabo sempre junta suas enormes mãos vermelhas e reza:
- Por favor, Deus. Proteja-me de todas as maldades dos homens.

3 de março de 2005

Borboletas e mariposas

Houve um ano em que um cientista ganhou o prêmio Nobel de matemática por ter descoberto a fórmula que descrevia o vôo das borboletas. Ficou mundialmente conhecido. Certo dia, sentado no banco da praça de sua cidade, notou que um menino, em êxtase, olhava fixamente para uma borboleta que por ali voava.
- Por que você observava aquele inseto tão atentamente?
- Eu observava as cores. Havia um espectro, como um arco-íris. Isso significa que suas asas, embora muito pequenas, comportam todas as cores que existem em todo o universo. Eu agradeci a ela, por ter trazido aos meus olhos o universo inteiro, por um instante efêmero.
O cientista saiu triste, cabisbaixo. Não havia notado quaisquer cores. Pensara que se tratava de uma mariposa. E lá se foi um universo voando.