14 de abril de 2005

Relâmpago e Trovoada

Há muito tempo não havia relâmpago nem trovoada. Havia apenas uma índia e seu indiozinho sapeca. Quando andavam pela selva, ele sempre corria na frente para pregar um susto na mãe, que nunca o alcançava. Certo dia ele correu muito rápido, mais rápido do que podiam suas próprias pernas. Perderam-se. Quanto mais se procuravam, mais se afastavam. O menino morreu abandonado, sem comida. A mãe, de tristeza. As almas subiram aos céus e, até hoje, se procuram. O menino é o relâmpago, que sempre vemos primeiro. A mãe é a trovoada, que ouvimos passar muito tempo depois. As chuvas são as lágrimas abandonadas pelo caminho. Lágrimas de dor que, irrigando nosso solo, transformam-se em farta colheita.