10 de janeiro de 2006

Sessão de cinema

Houve um dia em que o Diabo ouviu rumores de que Deus havia deixado o Céu por alguns instantes. Resolveu subir para conferir com seus próprios olhos.
- É hoje! Se ele realmente estiver fora, vou aproveitar para tomar conta da sala de controle e governar o universo – pensou.
Quando ele abriu a porta, encontrou Deus sentado, aos prantos.
- O que foi, seu Deus? Posso fazer alguma coisa?
- Infelizmente não. O pior já aconteceu. Essas criaturas daninhas que criei não se corrigem! Devia ter deixado o planeta só para os bichos!
O Diabo, como pai de toda a maldade existente, retrucou:
- Eles não são tão ruins assim. Tenho certeza de que em alguns milênios os homens estarão melhores.
Para convencer o Diabo, Deus começou a narrar todas a maldades cometidas pelos homens. Quando terminou, o Diabo disse:
- Ainda acho que o senhor está exagerando um pouco.
- Então você não acredita? Vou te mostrar uma coisa...
Levou o Diabo para a sala de projeção, onde estavam arquivados os acontecimentos do planeta Terra. Começou o filme.
Mostrou as guerras púnicas, de secessão, das Malvinas, do Paraguai, do Oriente Médio, dos sete anos, dos treze anos, dos trinta anos, dos cem anos.
Mostrou a história de Átila. Drácula. As fogueiras da Idade Média. Os romanos soltando as feras sobre os homens. Napoleão. Hitler. A bomba atômica.
Quando terminou o filme, o Diabo, horrorizado, voltou para o inferno. Hoje em dia, antes de dormir, religiosamente o Diabo junta suas enormes mãos vermelhas e reza:
- Por favor, Deus. Proteja-me de todas as maldades dos homens.