29 de agosto de 2010

Puzzle

Edifício Vita Felice. O nome incomodava os condôminos, já que não eram felizes de fato.
No térreo morava o zelador, Zé. Depressivo, solitário, sempre inebriado de cachaça.
1º andar: Dante, estudante órfão, e a madrasta surda, Inaudita Senson. Ele, carente, não tinha ninguém com quem conversar. Ela vivia com a cabeça nos crochês.
2 andar: o médico, Doutor Kury Tudor, e sua poodle Stephanie. Precisando se concentrar nos estudos, sempre se irritava com Stephanie e seus latidos agudos, estridentes.
3º andar: mais ringue do que lar, ali se confrontavam, todo santo dia, Escan Teio de Campos, fanático por futebol, e Joaquina Névola, a esposa fanática por novelas. Ele sempre perdia o embate e o jogo.
4º andar: o percussionista, Ubiratan Bör, e a esposa hipocondríaca, Dolores Chagas. Ela se queixava de que a vibração dos tambores lhe causava palpitações e lesões nos tímpanos.

Quando mudaram o nome do prédio para Vita Triste, chega a notícia: Joaquina fora contemplada numa promoção. Ganhou um carro zero quilômetros. Não imaginava, porém, quem chegaria dirigindo o carro: Reinini Gianeccaldo, famoso galã de novelas.

Apaixonada, Joaquina botou o marido para fora e o ator para dentro. Escan foi morar no 1o. andar com Dante. Hoje conversam muito e, juntos, assistem aos jogos. Sem quarto, a madrasta Inaudita partiu. Então, o músico Ubiratan, querendo trocar a hipocondríaca pela surda, sugeriu ao Dr. Kury que abrigasse sua esposa Dolores no 2o. andar. Agora Ubiratan toca seus tambores sem incomodar Inaudita, enquanto o médico, solícito, dissuade Dolores de que ela seja doente terminal. Mas não foi fácil: Dolores, preocupada com pulgas, raiva e outras doenças, impôs: só moro com o médico se a cadela for embora. Assim, a cadela foi dada para Zé, que, feliz com a companhia, largou a bebida. Hoje, apesar do nome Triste Vita, todos no prédio vivem profundamente felizes.

10 comentários:

Summer and Mitsuki disse...

Parabéns,você é um excelente escritor :D
Adorei seus textos!
Vamos seguir.

AFM disse...

Pensei que tinha deixado o blog de lado. Continue sempre. abs

Fil. disse...

Adorei o texto, feliz pela nova postagem!

Cris in blog disse...

Bons ventos o tragam! Quanto tempo! Li todos os seus textos há muito tempo e gostei muito. Depois vc sumiu(até comentei com um amigo de outro blog o fato de vc não ter mais escrito e qual seria o motivo). Hoje, com muita surpresa, vi o novo texto, excelente por sinal. Continue sempre, vc tem talento.Se tiver um tempinho visite o meu: blog:litteraeart.blogspot,com
Abraços.

Cris in blog disse...

Obrigada pela visita ao meu blog. Temos algo em comum: a paixão pela literatura. Tenho alguns livros que nunca consegui publicar, a maioria infantis e infanto-juvenis.É muito difícil esta empresa no Brasil, não?
Abraços e boa-sorte!

Lari Medeiros disse...

Adorei o encaixe do que cada um "supostamente" necessitava. Muito perfeito, teu texto.

Mariana Bomfim disse...

Muito bom! E os personagens tem suas próprias peculiariedades, incrível!

Lord Vader disse...

Sou editor do blog Ensaios e Manifestos e de passagem por aqui , gostei do teor dos textos. Gostaria de convidar o autor a conhecer a proposta e o teor do blog , assim como está convidado a nos enviar um texto de tema livre para a postagem , dentro do espírito do Blog de ser um banco de idéias , ensaios e manifestos
www.ensaiosemanifestos.blogspot.com
[ ]s !

Luiz Antônio Duque disse...

Parabéns pelo texto! Muito bom!
Vou te seguir ;-)

Abçs

http://www.200anosdepois.com.br

Maurílio Resende disse...

Desde a escolha dos nomes aos destinos atribuídos a cada personagem , este é um texto que mostra claramente que a sagacidade não se encontra apenas nos grandes romances, preenchedores de páginas e páginas.
Parabéns pelo Blog.
Sua literatura é bastante instigante.